há precisamente 10 anos, a minha vida entrava numa nova e fascinante fase. O Pedro estava nos meus braços, muito pequenino, tao indefeso, tao meu filho... aquele momento do primeiro encontro visual será sempre recordado como se fosse presente. A maternidade é mesmo uma nova porta que se abre na nossa vida, porque de repente nascem e pronto. Tudo muda nesse preciso instante.
Passou-se uma década, tao plena, tão repleta de inúmeras e intermináveis histórias e recordações dessa caminhada entre a mãe e o filho.
De repente o meu tempo passou a ter o ritmo de crescimento do Pedro. Os primeiros meses são rapidissimos, porque o crescimento é vertiginoso. Agora sinto que os ritmos de tempo de cada um estão mais próximos.
Pela décima vez, reunimos o grupinho (cada vez mais selectivo) de amiguinhos e coleguinhas do Pedro, curiosamente sempre muito equilibrado em género feminino e masculino (da sua própria responsabilidade) para uma tarde de brincadeiras e um pleno desfrutar da energia própria das crianças desta idade. «ó mãe, eu ja sou pré-adoslescente, nao é?»... os meus olhos brilham e o sorriso orgulhoso invade-me o ego nestas alturas...
Observo-os a todos, ao pormenor. As expressões, as brincadeiras, a forma como se deslocam e as destrezas, as interacções... que riqueza! que exuberância tão comodida e subtilmente expressa no conjunto individual de cada um...
Guardo dez anos de momentos únicos, conquistas passo a passo, sustos, inquietações, alegrias, prazeres, lágrimas, sorrisos, expressões, fúrias, mimos, etc, etc, etc, do Pedro. Aquele ser que foi gerado dentro de mim, tão ele próprio, com tantas coisas minhas, do pai e demais familiares, meu filho, pois... o previlégio é meu. Fico grata á Força da Criação por mo ter concedido...
Tuesday, April 24, 2007
Saturday, April 7, 2007
palavras vãs...

sempre estive muito presente na natureza, sempre tive animais... mas a experiencia que tenho passado com estes cavalos são inexplicáveis!
conhecê-los ajudou-me a conhecer-me...
nunca comuniquei tanto pelo olhar, pelo sentir, pelo simples observar...
não é necessário que os animais falem a mesma linguagem que nós... as palavras tornam-se vãs na comunicação com os animais. Afinal, somos nos, humanos, que aprendemos a linguagem dos animais... pelo olhar, pela forma como nos movimentamos ou pela atitude que apresentamos...e claro, pelo sentimento que nos inunda a alma... esse nao se vê... mas sente-se plenamente...
descobri a etologia... que, sem saber, ja fazia parte das minhas vivências em criança... trata-se de reviver o mais puro que ha em nós, humanos... para chegarmos à linguagem dos animais, simples, pura, transparente!
Sunday, April 1, 2007
Arte. Paixão. Engenho.

sinto-me previligiada por poder sentir a linguagem dos animais como minha linguagem também... admiro esses seres simples, nobres, puros nos seus sentimentos, generosos... admiráveis bestas!
O meu Mestre de equitação, D. José de Atayde, que me lançou nos primeiros passos da arte equestre disse-me uma vez: « se Deus montasse o cavalo nao precisava de ser ensinado, pois as ajudas seriam tão perfeitas que o cavalo entenderia na perfeição o que lhe era pedido», e esta foi a grande chave que me revelou nesta arte, que requer acima de tudo, uma sensibilidade extrema no sentido de perceber o que o cavalo nos dá e nos pede, para, desta forma, lhe pedirmos de uma forma justa e equilibrada os movimentos na sua naturalidade e amplitude muito próximas da perfeição.. é claro que só entende isto que escrevo quem sente a equitação como uma arte. Dizia-me um amigo meu, cavaleiro, que o saudoso Mestre Nuno Oliveira, nao fazia hipismo (modalidade desportiva) mas sim arte equestre, porque esta nao podia ser planeada, tinha que ser sentida no momento. Pura verdade... para alguns, naturalmente.
Estou no príncipio de uma caminhada, e nao sei para onde vou... mas sei ao que vou. Caminho ao encontro da mais profunda forma de sentir a vida. Arte, Paixão, Engenho. Foram as palavras que me ocorreram depois de uma feliz aula com o meu Mestre, no dorso do venerável Conde, um cavalo de vinte e tais anos, com muito ensino, branco, generoso, que me deu as primeiras sensações de cavaleira.
Arte. Paixão. Engenho. É como definiria eu, aprendiz de equitação, esta arte... Arte pela sensibilidade que nos desenvolve. Paixão pelo sentimento que se cria por tanta nobreza de animal. Engenho pela besta de potencia e harmonia que é o cavalo.
Saturday, March 31, 2007
tempo, coisas simples e força de viver

pergunto eu porque ha descriminações no exercício das mais diversas profissões... afinal nao serão todas necessárias, tendo por isso mesmo sido criadas. Sinto que este problema se deve a uma questão cultural que remonta ao vazio dos interiores das almas.. senão, veja-se, porque um varredor de ruas será menos pessoa que um professor ou um médico? São ambos necessários, cada um com a sua função na comunidade, sendo que na comunidade todos deveriamos contribuir para um espaço comum mais agradável e socialmente funcional. Recordo quando, a propósito de respeito, uma colega minha de profissão comentava que os professores deviam voltar a usar uma bata, «porque isso marca logo a distância»... não lho disse (porque percebi que nao entenderia), mas pensei imediatamente que a bata só serve para impor respeito a quem não o têm interiormente. Ora aqui está uma noção completamente falsa (no meu entender) de valorização profissional, valemos pela aparência (e nao pela competência). Tal como noutras áreas da existência humana, o respeito conquista-se pela soma de méritos, e nao por uma bata ou qualquer outro acessório.. e muito menos se aparente...
Em pleno século XXI, ainda nos confrontamos com este tipo de problemas (básicos), a questão da valorização e dignidade pessoal... Nas culturas do nosso velho continente europeu isto ainda está mais profundamente enraízado ( o que para mim é suficiente para pôr em causa o sentido da evolução e progresso da civilização europeia que tantas culturas aniquilou em nome do dito progresso e civilização... está certo.. também se fizeram grandes progressos nomeadamente ao nível das tecnologias.. concordo! Mas questiono: em que sentido?!?)
Optei conscientemente por um modo de vida associado ao total desprendimento material, ao enriquecimento da alma pelo nada possuir, pelo nada saber, pelo nada querer... no entanto, não desperdiço nada do que me venha parar em mãos, tudo quero aprender, nem, tão pouco, desperdiço nenhuma oportunidade na vida... a diferença consiste no apreender o que se me depara, ao invés de procurar cegamente o que não sei... Também acredito que parece estranho e possivelmente contraditório, mas não o é, de facto!
Desta forma, dispenso aparências e conquistas menos enriquecedoras da alma... e quando dou aulas aos meus alunos procuro, na prática constante, proporcionar-lhes esta atitude, que sei, entenderem melhor e mais fácilmente que muitos adultos viciados no progresso e na civilização.
A minha maior riqueza é a sabedoria na humildade. O meu maior bem é o tempo para apreender as coisas simples da vida. A minha maior conquista é a força de viver.
Monday, March 19, 2007
plena de vida
ha quanto tempo... quer dizer que tenho andado ocupada... e sem inspiração para brincar com as palavras...
Sim, aqui brinco com as palavras, com a memoria, com os sentimentos... ajuda-me também a conhecer e perceber-me melhor, depois de as ler. Quando conversamos nao temos o mesmo impacto das nossas palavras que temos quando as lemos. Por isso escrevo por brincadeira e como exercício de auto conhecimento.
Estamos vivos... e por isso nunca chegamos a conhecer-nos completamente. Vamos adivinhando algumas reacçõs mais previsiveis, pela frequencia de ocorrência, mas em situações novas, acabamos por nos surpreender. Por isso também eu procuro quase de forma constante o inconstante... o inabitual... o desconhecido... o que me confere uma forma de estar na vida um tanto aventureira, sempre pronta a explorar... com o tempo também aprendo a ser mais exigente e criteriosa nas minhas investidas... porque ha matérias perfeitamente dispensáveis... assim, trato de criar um ambiente elaborado que me permita investir em projectos e ideias que realmente me fazem sentir plena... plena de vida!
Sim, aqui brinco com as palavras, com a memoria, com os sentimentos... ajuda-me também a conhecer e perceber-me melhor, depois de as ler. Quando conversamos nao temos o mesmo impacto das nossas palavras que temos quando as lemos. Por isso escrevo por brincadeira e como exercício de auto conhecimento.
Estamos vivos... e por isso nunca chegamos a conhecer-nos completamente. Vamos adivinhando algumas reacçõs mais previsiveis, pela frequencia de ocorrência, mas em situações novas, acabamos por nos surpreender. Por isso também eu procuro quase de forma constante o inconstante... o inabitual... o desconhecido... o que me confere uma forma de estar na vida um tanto aventureira, sempre pronta a explorar... com o tempo também aprendo a ser mais exigente e criteriosa nas minhas investidas... porque ha matérias perfeitamente dispensáveis... assim, trato de criar um ambiente elaborado que me permita investir em projectos e ideias que realmente me fazem sentir plena... plena de vida!
Saturday, February 3, 2007
miudos...
Mais um treino, sabado de manha... desde ja os meus parabens aos miudos que tiveram a coragem de sair de casa para um treino de preparação física...
De qualquer forma nao consigo deixar de reparar na falta de destreza destes miudos actuais. Falta de destreza física e moral. Várias vezes tivemos que abrandar o ritmo para reunir o grupo... e eu e o meu colega ficamos espantados ao perceber que apesar dos aninhos e mazelas (por excesso de actividade..) que nos pesam nas articulações ainda temos que esperar pelos miudos mais novissimos, supostamente, mais cheios de energia (própria destas idades..) e teoricamente mais ágeis... teoricamente, pois.
Noto um cansaço moral nos miudos que nos acompanham. Excesso de tempo na escola em aulas sentados, a ouvir porfessores «despejar» matérias aparentemente desconexas, para cumprir os programas, excesso de tempo ligados a um computador, play station, tv ou telemovel, ensurdecidos pelo continuo som dos mp3, afogados em informação bombardeada em alta frequencia pelos referidos (entre outros) meios tecnológicos actuais... mas, ficamos à espera que sejam os miudos a escolher a forma de passar (viver..) o tempo??? Naturalmente, todos os sistemas vivos tendem a ser o máximo eficazes, isto é, consumo minimo para alta rendimento...
Ora, o exercício físico também pressupoe este principio, e chegamos ao conceito de técnica, neste caso, do movimento: gestos tecnicos: movimentos que garantem na sua forma e realização o máximo rendimento.
Este conceito está perfeitamente adaptado aos tempos actuais: alto rendimento (para tudo.. ou quase).
Mas até chegarmos à tecnica perfeita ha muito trabalho a fazer, e essa é a pior parte, «dá muito trabalho» (citado pelos próprios alunos com uma frequencia incrivel..). Estamos tao habituados a ver níveis de desempenho tao elevados, que esquecemos o trabalho que dá para lá chegar... aprendizagem...
Descobri que o exercício físico ajuda a recuparar de estados de fadiga acumulados (entre outros beneficios).
É preciso que os pais também o descubram.
É preciso que descubram que o exercício é fundamental, por uma questão de essencia e nao de modas.
O ser humano é um ser essencialmente motriz.
De qualquer forma nao consigo deixar de reparar na falta de destreza destes miudos actuais. Falta de destreza física e moral. Várias vezes tivemos que abrandar o ritmo para reunir o grupo... e eu e o meu colega ficamos espantados ao perceber que apesar dos aninhos e mazelas (por excesso de actividade..) que nos pesam nas articulações ainda temos que esperar pelos miudos mais novissimos, supostamente, mais cheios de energia (própria destas idades..) e teoricamente mais ágeis... teoricamente, pois.
Noto um cansaço moral nos miudos que nos acompanham. Excesso de tempo na escola em aulas sentados, a ouvir porfessores «despejar» matérias aparentemente desconexas, para cumprir os programas, excesso de tempo ligados a um computador, play station, tv ou telemovel, ensurdecidos pelo continuo som dos mp3, afogados em informação bombardeada em alta frequencia pelos referidos (entre outros) meios tecnológicos actuais... mas, ficamos à espera que sejam os miudos a escolher a forma de passar (viver..) o tempo??? Naturalmente, todos os sistemas vivos tendem a ser o máximo eficazes, isto é, consumo minimo para alta rendimento...
Ora, o exercício físico também pressupoe este principio, e chegamos ao conceito de técnica, neste caso, do movimento: gestos tecnicos: movimentos que garantem na sua forma e realização o máximo rendimento.
Este conceito está perfeitamente adaptado aos tempos actuais: alto rendimento (para tudo.. ou quase).
Mas até chegarmos à tecnica perfeita ha muito trabalho a fazer, e essa é a pior parte, «dá muito trabalho» (citado pelos próprios alunos com uma frequencia incrivel..). Estamos tao habituados a ver níveis de desempenho tao elevados, que esquecemos o trabalho que dá para lá chegar... aprendizagem...
Descobri que o exercício físico ajuda a recuparar de estados de fadiga acumulados (entre outros beneficios).
É preciso que os pais também o descubram.
É preciso que descubram que o exercício é fundamental, por uma questão de essencia e nao de modas.
O ser humano é um ser essencialmente motriz.
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